Avante Itapoá! Por Rodrigo Lopes

 

Rodrigo Lopes

Diante dos vários fatores positivos advindos do empreendimento portuário de Itapoá, tais como: o aquecimento da economia, geração de emprego, renda, arrecadação municipal, benefícios oferecidos e o mega investimento realizado, poderia discorrer várias linhas de argumentação favorável, entretanto, a princípio, o assunto já foi resolvido.

A autorização da passagem de caminhões com containers foi debatida com a comunidade, com os comerciantes e prestadores de serviços, onde os representantes de suas entidades e associações, depois de conhecerem o projeto de lei e sugerirem alterações, se posicionaram de forma positiva ao trânsito temporário de caminhões pelo perímetro urbano. E não poderia ser diferente, pois, serão pouquíssimos caminhões até a conclusão da SC-415. O prejuízo que amargaríamos seria muito grande caso os conselheiros se manifestassem de forma contrária. Com o Porto funcionando, Itapoá é verão o ano inteiro (créditos ao colega Ademar pelo bordão).

O tema chamou tanta atenção que, esquecemos o debate de outras questões, tão ou mais importantes que a passagem dos caminhões carregados com containers. Como exemplo disso, temos a Lei de Uso e Ocupação do Solo, aonde atualmente o CONCIDADE vem realizando a qualificação dos conselheiros para então dar início aos estudos do plano diretor. Enquanto isso, o tempo voa e o desenvolvimento passa.

Para melhor entendimento acerca da elaboração do plano diretor, de forma mais breve possível, primeiramente, faz-se necessário conhecer alguns números do mercado imobiliário nacional.

Ano passado, os bancos através dos recursos da poupança e do FGTS, liberaram mais de R$ 80.000.000.000,00 (OITENTA BILHÕES DE REAIS) para aquisição da casa própria. As construtoras aumentaram seus lançamentos em quase 100% em relação ao ano de 2009. A facilidade de obter crédito, aliado com aos programas habitacionais do Governo Lula impulsionaram o setor imobiliário como nunca antes visto na história desse país. Outros bancos reformularam seus planos de financiamento imobiliário e entraram na briga, por exemplo, o nosso estimado Banco do Brasil. O importe de 80 bilhões de reais injetado no mercado imobiliário é crescimento, enquanto política para atrair quem constrói visando esses programas de financiamento é desenvolvimento.

Atualmente o cenário é outro. Mesmo com as perspectivas de o mercado imobiliário nacional crescer mais de 50% este ano, mesmo com outros bancos entrando firme na briga dos financiamentos, o primeiro trimestre de 2011 registrou queda de quase 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Ou seja, com um mercado ainda extremamente aquecido, aquele “BOOOM” do ano passado dificilmente se repetirá. Enquanto isso, por aqui passamos pelo maior marco de crescimento imobiliário quase que despercebidos. Poderíamos ter aproveitado aquele momento de forma mais positiva, mas, apenas tínhamos para oferecer algumas casas e terrenos para compra financiada.

A procura é grande, basta consultar o setor imobiliário para perceber que a maior parte dos compradores busca imóveis financiados, lançamentos de unidades na planta ou em construção, o que aqui praticamente não encontram. Por quê? Culpa da lei. Aquela que foi aprovada, reprovada, agora será estudada e não se tem previsão de conclusão.

Enquanto não adequarmos a nossa lei de uso e ocupação do solo em Itapoá, o mercado vai ser assim, morno. O crescimento de Itapoá é uma realidade. Por outro lado percebemos uma cidade que ainda não está apta para o desenvolvimento junto com o crescimento emergente. O que nos falta é uma política de desenvolvimento adequada, respeitando o meio ambiente e que possibilite a atração de novas empresas e novos investimentos, direcionando-os de forma ordenada. Hoje, a nossa legislação ainda direciona o crescimento de forma horizontal, cada vez mais para dentro da mata atlântica, impermeabilizando uma área do nosso solo cada vez maior, quando por certo, deveria incentivar a ocupação nas regiões já consolidadas, preservando as inabitadas, os fundos de loteamentos e, principalmente as margens dos rios. Por enquanto, nos resta torcer que o Poder Público, logo após a aprovação da passagem dos caminhões, priorize e adéque a nossa legislação.

 

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