Obra de 1º Mundo – Enfim, o início das operações

Inaugurado, o Porto já estava. Faltava atracar o primeiro navio de contêineres. Foi emocionante

Folha de Itapoa

Bete Fagundes

Hildo Battistella certamente foi a grande estrela da cerimônia que marcou o início das operações do Porto Itapoá. Foi em noite de lua cheia, de 16 de junho, com sua luz intensa misturando-se às gigantes deste empreendimento que veio para a redenção social-econômica de Itapoá.

Hildo Battistella foi quem sonhou, um dia, dezoito anos e seis meses atrás, em abrir seu próprio cais depois de decepcionar-se e levar prejuízos com os serviços do Porto de São Francisco do Sul. Com ele, na festa, tão emocionados quanto estavam seus filhos e outros membros da família, como também o superintendente e o diretor do sócio Hamburg Sud, respectivamente, Julian Thomas e José Antonio Cristóvão Balau. Do Porto, destaque para os diretores Patrício Junior, Marcio Guiot e André Romero. Do município, prefeito Ervino Sperandio e vereadores.

Na chegada do primeiro navio para descarregar os primeiros contêineres houve queima de fogos e discursos breves, do diretor Patrício Junior, do prefeito, do presidente da Câmara Daniel Weber e de Hildo Battistella. Isso durante coquetel em deque construído para a ocasião, aproximando o público da operação no mar. Foram momentos históricos, com um grande número de moradores na praia e pelas redondezas do Porto.

Foi com este espírito que Battistella conversou longamente com a Folha de Itapoá, sorrindo muito e algumas vezes com os olhos marejados. De certa forma íntimo da jornalista, pelas dezenas de entrevistas feitas ao longo desses 12 anos de Jornal, Battistella contou coisas que por aqui ninguém sabe. Mas vamos primeiro aos fatos:

Disse que a partir de agora, a cada dois, três dias, um navio estará aportando por aqui. E daqui a dois meses, o tempo todo. Lá por meados de dezembro calcula que tanto a SC 415 quanto o Linhão da Celesc estará pronto, o que dará plena liberdade às operações portuárias. Ou seja, tudo a todo vapor. Isso por meados de dezembro. Já em fevereiro ou março, o número de funcionários deve saltar dos atuais 320 para 609. Outra meta é implantar duas linhas por semana para cada uma destas rotas: Ásia, Mediterrâneo, Europa Central e Estados Unidos (área do Golfo). Implantar, ainda, uma rota por semana fazendo o Estreito de Magalhães e o Pacífico (do Chile ao Canadá).

CONTANDO, NINGUÉM

ACREDITA

Frase do próprio Battistella, a essas alturas sorrindo muito depois de contar uma bela história para a Folha. É mais ou menos assim: vinte anos atrás ele tinha muita madeira para vender e não encontrava mercado. Era preciso exportar.

Fez esta operação sete vezes no Porto de São Francisco do Sul e só levou prejuízo, porque priorizavam outros embarques (alimentos, por exemplo) e o dele ficava sempre por último, deixando-o de calças curtas lá fora por perda de prazo ou por não honrar seus compromissos. Foi aí, já como proprietário de grandes empresas em diferentes ramos, que decidiu construir seu próprio porto. Mas, onde mesmo!

Engenheiro aeronáutico que é, e dos mais fascinados por avião, numa dessas andanças pela Baía Babitonga viu do alto um mar com cores diferenciadas. Bateu melhor o olho e descobriu esse corredor que hoje apresenta de 14 a 16 metros de calado. É um canal natural de navegação, não precisa nem de dragagens – osso duro que normalmente tem que roer aquele que não lhe atendia bem, o Porto de São Francisco.

Bem, resolvida esta parte, partiu para a compra da área portuária. Aí vem a graça – ou desgraça, dependendo do ponto de vista.

Tendo que pagar um inventário, e de família grande, um dos seus foi longe dar a boa notícia a uma herdeira. Frase do tipo: “A senhora tem uma fortuna pra receber em Itapoá…” Nem bem terminou de falar, a mulher já tinha chamado a polícia e o mensageiro do Battistella acabou indo parar na delegacia.

Resolvida a questão, um dia antes do inventário ser sacramentado em cartório não é que morre um dos herdeiros! Aí começa tudo de novo. Esses dezoito anos e seis meses ele passou resolvendo, era problema e só problema. Agora, no final do ano, deve passar o ‘bastão´ para o irmão Odelir na presidência do Conselho do Porto Itapoá. Descansar, Battistella não vai. Seu filho Luciano que o diga: “Ele não para nunca. Com certeza já está pensando em algum outro negócio, projetando alguma outra coisa. Meu pai é assim, fantástico. Ainda bem que sou seu filho” – diz ele com um humor refinado.

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