A vitória será encontrar meios de incluir a população no grande desenvolvimento

Carlos Henrique, em entrevista a Folha de Itapoá

Folha: O jornal acompanhou seu trabalho como secretário durante os seis anos em que permaneceu na Prefeitura de Itapoá. Neste período, quais os trabalhos que você destaca?

Carlos Henrique: Durante minha passagem pela Secretaria de Planejamento e Urbanismo, o primeiro trabalho foi estruturar a própria secretaria que até então não existia. Após sua criação em 1999, realizamos o recadastramento dos imóveis do município, a codificação e o levantamento de toda a infraestrutura implantada nas ruas.

Estes trabalhos proporcionaram ao Município uma base de planejamento consistente, possibilitando a identificação do tamanho e do tipo (comercial, residencial, religioso, misto, público) das edificações existentes. Além disso, este trabalho também possibilitou a implantação do sistema de endereçamento da cidade, detalhando as informações postais que até então restringiam os itapoaenses a residirem em um único e comum endereço (Avenida Principal, s/n), sem comentar o transtorno de resgatar todas as correspondências na sede dos Correios. Atualmente tenho acompanhado alguns impasses envolvendo os Correios referentes a problemas de entrega de correspondência. Não entendo o motivo pelo qual estes problemas ainda perduram, afinal, já faz 10 anos que o sistema de endereçamento foi implantado e eventuais correções já deveriam ter sido sanadas.

Outra importante contribuição foi a atuação da Secretaria na aprovação do Plano Diretor de Itapoá. Este trabalho, desenvolvido pela Fudação Pró Itapoá em convênio com a Prefeitura, foi um marco no Planejamento Urbano da Cidade, que na época como qualquer mudança, provocou muitas polêmicas. Contudo, é importante destacar que como qualquer plano, ele não é perfeito e precisa ser adequado com o passar do tempo. Vale destacar a inédita presença da sociedade civil organizada no processo de elaboração do Plano Diretor. Este acontecimento impulsionou a participação popular nas tomadas de decisão que influenciam o futuro da cidade.

Folha: Qual o motivo de ter saído da Secretaria de Planejamento e Urbanismo?

Carlos Henrique: Uma das minhas principais metas era implantar um Sistema de Geoprocessamento Municipal, integrando todas as Secretarias do Poder Executivo, o que possibilitaria uma gestão mais eficiente do Município. Infelizmente o convencimento de investimentos em planejamento é muito difícil, e este foi um dos motivos pelo qual não permaneci nesta Secretaria. Já acreditava na época e continuo acreditando que este tipo de investimento é crucial para o desenvolvimento ordenado da cidade, ainda mais agora com o crescimento que esta por vir em função da operação do Porto.

Folha: E na Secretaria de Turismo, Meio Ambiente e Cultura, o que você destacaria?

Carlos Henrique: Na pasta do Meio Ambiente, minha principal atuação foi na elaboração do Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro e o Zoneamento Ecológico Econômico, possibilitando a identificação de áreas prioritárias para os respectivos usos da cidade. Um ponto importante deste trabalho foi a delimitação da Retroárea Portuária de forma técnica, sem influenciar a zona residencial e turística do Município e, principalmente, sem a interferência da especulação imobiliária. Neste quesito Itapoá é referência nacional, sendo o 1º município do Brasil a ter o seu Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro e na época foi, inclusive, manchete no site do Ministério do Meio Ambiente e na Voz do Brasil.

Na pasta da Cultura, um dos principais trabalhos desenvolvidos foi junto ao segmento dos artesãos. Na época elaboramos um banco de dados aonde foram cadastros todos os artesãos da cidade. Incentivamos a organização desta atividade, que além de ser muito importante para o turismo municipal, também é uma importante fonte de renda para diversas famílias itapoaenses.
Lembro-me das primeiras feiras de artesanato organizadas por nós, fiquei muito impressionado com os diversos talentos revelados. Na época tínhamos uma exposição permanente de todos os tipos de artesanatos produzidos no município, aberta para qualquer pessoa ou até mesmo lojas poderiam visitar e adquirir os produtos direto de seus fabricantes.

No Turismo elaboramos um projeto de desenvolvimento do ecoturismo, no sentido de minimizar os impactos da sazonalidade do turismo de veraneio, proporcionando novos produtos turísticos além da praia. Formamos aproximadamente 40 guias turísticos, 15 guias de pesca esportiva e montamos um Posto de Informações Turísticas móvel (trailer envelopado). Além disso, em parceria com empresários locais, organizamos agências de turismo e três roteiros turísticos, sendo eles a Rota das Cachoeiras, o Passeio Ecológico na Reserva Volta Velha e os Passeios de Barco na Baia da Babitonga. O projeto foi um grande sucesso na primeira temporada, atendemos mais de 5.000 turistas e todos estavam empolgados em continuar este trabalho durante o ano todo.

Folha: Mas porque estes projetos não tiveram continuidade?

Carlos Henrique: Infelizmente a gestão pública nem sempre é movida por resultados. Fato este comprovado após o meu retorno das férias de 2006, quando retomei os trabalhos fui informado que em função de contenção de custos os meus diretores de turismo e cultura tinham sido exonerados. Fiquei sem a menor possibilidade de dar continuidade a estes projetos, e no mesmo ano, após concluir o Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro e o Zoneamento Ecológico Econômico, saí do cargo. Quanto à continuidade dos projetos, este é um dos grandes paradigmas da gestão pública.

Folha: Qual a sua opinião sobre o quadro atual de Itapoá?

Carlos Henrique: Acho que Itapoá tem um bom planejamento básico e está passando por um momento histórico com o início da operação do Porto. O grande desafio será proporcionar meios onde a população seja capacitada para participar deste processo, e que os recursos gerados pela atividade portuária proporcionem melhores serviços públicos, alavanquem as atividades turísticas, a construção civil, a pesca e a agricultura e que todo este desenvolvimento aconteça de forma equilibrada com o meio ambiente. Se isto acontecer, acredito que Itapoá pode ser tornar uma referência nacional de evolução social, econômica e ambiental.

Folha: Existem boatos de que você é pré-candidato a prefeito pelo PSC, é verdade?

Carlos Henrique: Recentemente assumi a Presidência do Partido Social Cristão – PSC em Itapoá, e a minha intenção nesta empreitada é mobilizar uma força política motivada, não apenas pelos interesses de uma sigla política para o pleito de 2012, mas sim para atuar com uma visão em longo prazo, buscando a evolução de Itapoá e de toda sua população. Agora quanto à minha pré-candidatura posso lhe dizer que meu nome esta a disposição do partido e que estou motivado em participar deste processo democrático.

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