Conjunto Bamerindus: 30 anos

 

Folha de Itapoá – Edição 74 abril/maio 2007

Com uma série de reportagens a partir desta edição, o Jornal faz uma homenagem a Itapoá apresentando seu primeiro conjunto habitacional, batizado como Associação dos Amigos do Balneário Uirapuru. O chamado Conjunto Bamerindus.
A foto aérea cedida pela família Poitevin é de novembro de 1982, cinco anos após a inauguração que marcava uma nova era para Itapoá. Cravado em plena Mata Atlântica, o balneário foi o recanto escolhido por dezenas de famílias que tinham a mesma origem. Eram funcionários em Curitiba do antigo Banco Bamerindus (75%), do Banco do Brasil e Banco Safra. Hoje não chega a 20% o pessoal do Bamerindus. As casas foram parar em outras mãos, grupos diferentes do Paraná e Santa Catarina.
Audinir Poitevin fez parte deste grupo desbravador, confiante no projeto defendido principalmente por Basílio Vilani (veja as próximas reportagens). Na residência dos Poitevin, no Conjunto Bamerindus, claro, os jornalistas da Folha encontraram-se em abril com outros da associação e ouviram histórias fantásticas.
Trinta anos atrás, Audinir já vinha passar o verão com a esposa Suely e duas filhas, de quatro e dois anos de idade. Nenhum outro serviço básico existia por aqui, além de água e luz. O alimento compravam no mercado que pertencia a Títio Paese (onde funciona hoje o Reef’s Car). Lelé, pescador do Pontal, garantia gasolina, remédio e banco, atravessando a Baía para São Francisco do Sul.
Suely fala com saudades daquele tempo: “A necessidade fazia com que as pessoas se encontrassem mais, havia maior integração. Pela dificuldade e longas distâncias, um socorria o outro, até mulher grávida em busca de parteira”. Hoje o casal Poitevin tem quatro filhas, dos 33 aos 21 anos de idade: Michele, Juliane, Gisele e Priscilla. Todas cresceram nestas areias e não trocam facilmente as férias de Itapoá por outros lugares. No mesmo conjunto estão as residências de Leocádia Poitevin e Mafalda Wallbach, suas avós.
Estrutura própria
Quanto não custa cravar praticamente uma cidade no meio da mata. A começar pela instalação de um sistema próprio de água e coleta de lixo. Segundo os moradores/veranistas, o conjunto chegou a contar com rádio para comunicação e posteriormente com os serviços da Telepar e Copel. O sistema de vigilância é mantido até hoje por dois funcionários, assim como outros dois que fazem serviços gerais e um administrador.
“O dr. Belém e o Conjunto Bamerindus abriram o primeiro posto de saúde da praia, no início dos anos 80. Tinha de tudo, e sem a ajuda de ninguém, nem da Prefeitura de Garuva” (Itapoá emancipou-se há apenas 18 anos). Audinir conta ainda que o posto deve ter funcionado por dez anos ou mais, atendendo todos de graça e levando gente até para Curitiba.
Marco Aurélio Cruz e Luiz Fernando Waihrich participaram da conversa. O contrato de Luiz Fernando com a associação foi assinado em 26 de outubro de 1977. Diz ele que foram anos divertidos na praia, mas também complicados. Como aquela história que aconteceu na década de 80, quando lançaram o Dodge Polara. “Era um carro de luxo, todo equipado, e eu vim estrear justo aqui. Tudo ia bem, até que numa situação, a maré subiu e encobriu o carro. Botei ele no ‘varal’, chamei o socorro de Curitiba e devolvi” – lembra ele com muito humor, e amor a Itapoá.
* A Associação dos Amigos do Balneário Uirapuru conta com diretoria que se renova a cada dois anos e regulamento atualizado, conforme o novo Código Civil.

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